Por que eu pago por 10 megas, mas s fao download a 1 mega?

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Saiba a diferença real relacionada a velocidade contratada junto ao provedor de internet e o que realmente você recebe.

Esclarecendo o problema,

A resposta para o título deste artigo pode ser dúbia, deixando para ambos os lados a prerrogativa da razão. Funciona assim: 

As operadoras se valem da confusão entre as unidades de grandeza utilizadas para identificar quantidade de dados, fazendo os clientes acreditarem que estão levando uma velocidade que nunca alcançarão. 

Porém, antes vale fazer uma breve explicação apenas das unidades de grandeza mais comuns (lembrando que estamos considerando o sistema binário).utó 

A menor unidade de dado chama-se "bit". Após o bit, a próxima unidade de grandeza é o "byte", que tem o tamanho de 8 bits. Após o byte, a próxima unidade de grandeza é o "quilobyte", representado pela abreviação kB, com o tamanho de 1024 bytes. Após o quilobyte, a próxima unidade de grandeza é o "megabyte", que comporta 1024 quilobytes e é representado popularmente pela abreviação MB (porém, a abreviação correta é MiB, mas isso não será discutido neste artigo para não perder o foco). 

Em resumo, basta decorar a sequência correta das nomenclaturas mais utilizadas: bit, byte, quilobyte, megabyte, gigabyte, terabyte, petabyte. Exceto pelo byte que representa apenas 8 bits, as demais unidades de grandeza são incrementos de 1024 à unidade anterior. Por exemplo: 1 megabyte = 1024 bytes, 1 gigabyte = 1024 megabytes, 1 terabyte = 1024 gigabytes, 1 petabyte = 1024 terabytes e assim por diante. 

As operadoras usam um truque desleal, para fazer com que o cliente acredite que possui mais velocidade. A trapaça começa na publicidade dos sites das operadoras, cujos planos são mostrados em 10 MB, 20 MB, 30 MB, 100 MB, ou 10 Mbps, 20 Mbps, 30 Mbps, 100 Mbps e assim por diante. O truque é que as operadoras omitem que este MEGA, na verdade é um "megabit" e não um "megabyte". Essa diferença entre "i" e "y" é bem sutil, mas faz uma enorme diferença, afinal, se o mega está sendo multiplicado por um quilobit o resultado na prática será 8 vezes menor do que se ele fosse multiplicado por um quilobyte. Este mesmo cálculo vale para velocidades menores, como 500 kbps, por exemplo, onde as operadoras estão vendendo a velocidade de 500 quilobits por segundo (e isso não passa nem perto de meio mega). 

O tamanho dos arquivos, os aplicativos que gerenciam downloads, bem como os próprios browsers calculam a velocidade de download considerando o óbvio, ou seja, considerado que o MEGA deve ser atribuído ao byte e não ao bit. Então, como as operadores vendem a velocidade de 20 megabits (com i) por segundo, por mais que ela entregue 100% da velocidade contratada você jamais baixará um arquivo de 20 megas em 1 segundo. 

Em resumo, numa realidade utopica onde a operadora entrega 100% da velocidade contratada, os valores de download serão diferentes porque as operadoras fornecem quilobits e megabits, enquanto os sistemas operacionais consideram o quilobyte e megabyte. 

Com isso, abre-se uma discussão sobre a legalidade de atribuir o MEGA ao bit ou ao byte e induzir o cliente ao erro, mas não há uma normalização obrigatória que force as operadoras a usar as nomenclaturas corretas. 

As operadoras podem alegar que o quilo (na unidade binária) é uma unidade de grandeza aplicável a qualquer outra unidade, assim como é feito (na base decimal) com outras unidades de medida como o quilômetro (1000 metros), ou o quilograma (1000 gramas). Assim fica aberta a possibilidade de usar a nomenclatura quilobit, referindo-se a 1024 bits. 

Por parte dos usuários, vale a alegação de que a publicidade das operadoras induz a compra de uma velocidade que nunca será alcançada, afinal, se você contrata uma internet com velocidade de 10 mbps espera-se que faça o download de um arquivo de 10 megabytes em 1 segundo. Quem tem razão nessa confusão de medidas? 

Considerando que os sistemas operacionais e os softwares fazem cálculos de velocidade usando o quilobyte e o megabyte, as operadoras são as únicas que destoam desta realidade em nome de um número "mais comercial", portanto, em nome da transparência e de uma uniformidade de medidas, caberia a elas a adequação aos padrões da maioria.

Por: Djair Dutra C. Jr.

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